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15 de Outubro de 2008Lá no Dois Cliques, passa lá!
Lá no Dois Cliques, passa lá!

É normal. Deve ser. De vez em quando me encho de tudo. De casa. Do trabalho. Das músicas do Ipod. De foto. Do computador. De você. Daqui. De ter que isso, ter que aquilo. Segue-se ao surto adolescente, a procura cega e surda pelo remédio. Fico atrás da frase, do livro, da música, do verso, da foto, do dia, da onda, do momento, da cena. Como quem espera um ônibus na chuva.
Penso em como minha vida podia ter sido diferente se. Chegar ao se é perder o chão. Dizem “nada que uma boa noite de sono”, “nada que um bom livro”, “nada que um bom dia de surfe”, “nada que um porrezinho de vez em quando”, nada que… nada.
Tenho vontade de mergulhar e voltar à superfície depois. Não passei por nenhum momento crucial não, estou bem. Casado, empregado, com casa, comida, saúde. Enfim, pilares que deveriam(?) me dar vergonha de questioná-los. Mas é normal. Deve ser. E olha que acabei de voltar de férias.
“Vai fazer um projeto!” “Faz um livro” ”Cadê sua exposição?” Sofá e banho quente. Estou chateado comigo mesmo. Pela inércia. Quem é que tem coragem de chutar tudo pro alto, entrar em um fusca prateado com a mulher, a gata, o papagaio e a periquita e sair por aí, sem rumo? Quem é que te falou que estamos muito bem assim? Aqui.
A prancha está encostada atrás da máquina de lavar, ma penduro roupa todo dia. A bola de futebol de salão está murcha, dentro do armário, ao lado do amaciante. Joguei futebol no sábado e tô doído até hoje. A câmera fotográfica está aqui. Ao meu lado. No cartão de memória, 1 giga, mas nenhuma foto realmente nova.
Antes que você me ligue, preocupado, pra saber se estou bem, relaxa. É como disse lá em cima, daqui a pouco passa. Sempre passa. Já está na hora do Jornal Nacional?
Em algum dia de 1998, o carimbo do exército atestou minha altura: 1,73m. Meu pai tinha 1,68m (a altura do Romário) e meu avô, além de ter 1,50m, ainda calçava 33. Até ali, nunca um papel de uma instituição me valeu tanto.
Embora secretamente ache que o senhor me deu uns centímetros a mais, nunca vou me pôr à prova novamente. Pra quê? Aos 12, tinha 1,49m, quase meu avô, e ao sentar em uma poltrona verde, na rua Itanhangá, em Copacabana, na reunião de grupo de não sei que aula, virei alvo de chacota (fofa) das meninas presentes.
“Ai que lindo, o Marquinhos não alcança o chão!” Em outra aula do ano seguinte, fui apontado por uma das meninas mais bonitas da turma como “o mais bonito, dos baixinhos.” Pois é, havia um bonito, alto, e eu, quase um mascote.
Pois é, por Marquinhos me chamam até hoje. No trabalho inclusive. Não me incomodo com o diminutivo. Mesmo. E como não sou ridículo ao ponto de ficar usando tênis alto etc, luto contra o que posso: a balança. Aos 16, devia pesar no máximo 62.Hoje, 12 anos depois, peso 65.
Quando malhava todo santo dia, e tomava vitamina de banana com clara de ovo e aveia e sustagem e tudo mais, cheguei a pesar 69. Mas não tenho nenhum carimbo de nenhuma instituição. Por isso, nem o amigo mais magro de todos (ele sabe de quem é) acredita em mim.
Todo esse papo pra falar da falta de educação das pessoas. No meu prédio, tem uma espécie de academia. Dois aparelhos, uma bicicleta e uns pesos. Duas, três vezes (no máximo) por semana, desço. Faço uma série, leio parte do jornal e no fim de 50 minutos, li mais do que malhei (como você pode perceber se me vir por aí).
Um senhor chegou uns 15 minutos depois de mim e, 5 depois dele, entrou uma moça loira, de uns 40 presumíveis, mas escondidos sob uma franja, os cabelos (loiros, óbvio) até a cintura e uma calça florida.
Ela é personal trainer dele. Ok, mas por ser personal trainer, a cidadã não dá bom dia. Só pra ele. Hahhahahah. Não é carência nem nada, mas acho engraçado porque na “academia” havia ele e eu.
Pelo menos não ligaram a TV na Ana Maria Braga, porque malhar ouvindo receita de manhã é demais pra mim. Na hora de ir embora, fiz outro teste. “Tchau, bom dia!” E o senhor: “Até amanhã” E a loira?
***
A cena me deu - de novo - vontade de escrever aqui. Nos vemos?
Oi,
Novidades e fotos no Dois Cliques, ok?
Grande beijo.
Amigos queridos, as fotos e histórias da viagem estão lá no Dois Cliques.
Toda vez que chego de viagem (falando assim, até parece que viajo muuuuito), tem sempre um cara, muy amigo, que diz que as fotos não são minhas. São de Reuters, AFP…
Se fosse outro, diria que o cidadão age de má fé, mas sendo quem é, camarada, tomo como elogio.
De uma forma ou de outra, passa lá, aproveita pra ver as fotos e dizer o que você achou.
Beijo
Segunda volto ao batente. A Edith já voltou ao normal e estou curtindo os últimos dias em casa.
Ah, obrigado por vocês terem voltado. Que bom! Mas acho melhor mostrar concentrar tudo lá no Dois Cliques. Então, me encontra segunda por lá? O tira-gosto é a estrada.
Oi.
Cheguei de viagem ontem (25 dias de férias!) e prometo te encher de fotos, histórias engraçadas, casos e causos. Eu e Ana fomos à Argentina, Chile, Bolívia e Peru. Mochila nas costas. Foi ótimo.
Ficamos tanto tempo fora que minha gata, a Edith, nem nos reconheceu quando chegamos. Tanto tempo que tô achando meu box gigante. Cai até água quente da torneira!
Tenho uns 6 giga de fotos, só. Então, deixa eu ver as fotos e depois nos falamos. Pode ser amanhã?
Vai com calma, que tô ainda em outro ritmo…
Grande beijo.

Não liga muito pra moda? Tudo bem, mas se tiver um tempinho, que tal ver as fotos dos bastidores da SPFW? Acompanhe a cobertura nada oficial e nem tão informativa assim (embora bonita) da semana de moda paulista no Dois Cliques!
Depois de 6 dias internado no Fashion Rio, sem ligar para os amigos, sem ver a Ana e a Edith, vou a São Paulo e volto no dia 24. Beijo para você.

Quando recebi o convite para levar o Dois Cliques para a Globo.com, sabia que 1) não poderia falar o que me desse na telha; 2) teria que escrever sobre coisas que não me impressionam tanto assim e 3) apesar de tudo isso, teria uma audiência, hummm, 10 mil vezes maior.
Diz que uma das receitas para um blog dar certo é ter foco. Não falar sobre tudo, delimitar um universo e não fugir dali. Mas quem liga pra receitas? A regra mais importante, segundo consta, é que o blogueiro tem que escrever todos os dias. Também discordo desta norma. Mas escrevo todo dia.
Às vezes nas linhas, às vezes nas entrelinhas, tento ser crítico em relação à profissão e ao mundo do qual não faço parte, embora o registre diariamente.
O comentário do Valmir, cheio de maldade, como devem ser os bons comentários, surtiu efeito. Ele, rumo às 10 mil visitas. Eu, rumo à diversificação. Vamos ver quem chega primeiro? Adoro competir. Sobretudo, sobre tudo, com Botafoguense.
Domingo de chuva, macarrão com frango de padaria no prato e Indiana Jones e a Última Cruzada na TV. Sentidos à prova.
Estamos em junho, dia 1º. Hoje faz um ano que inaugurei este espaço. Exatamente. E faz uma semana que nem passo aqui. Nem pra dizer oi. Faltam idéia, ânimo e tempo.
No canto esquerdo da tela, ao publicar um post, via sempre uma porcentagem de peso máximo do blog. Comecei a notá-la, quando esta chegou a 40%. Cada foto postada, menos espaço restante. Uma foto pesa o mesmo que uns 50 post, sei lá. Mas blog de fotógrafo tem que ter foto. Ou seja, algumas vezes me sentia condenado ao fim. Algo como se, em menos de um ano, já tivesse uns 40, entende?
Meu novo espaço não tem nada disso. Acho que não tem limite. Vida eterna enquanto durar. Ponho foto, vídeo e tudo mais. Só que sinto uma falta danada daqui. Pra você ter uma idéia, o Diogo nunca comentou lá. Nem o Valmir. Sinal que alguma coisa está errada. Um monte de gente passa lá e me pede fotos de BBB. Quase só isso.
Conta outra?
Hoje, matei a saudade de macarrão com frango de padaria e queijo ralado. Mas almocei sozinho e tô com cheiro de alho na mão. Não matei a saudade do gosto de domingo. Quero sábado. Quero bife de fígado, com agrião e farofa com ovo. Domingo à noite. Quero andar de moto com meu pai. Domingo de chuva. Causa e efeito. Pra piorar, culpa: comprei um video game. Já troquei o troço duas vezes em quinze dias. Porque deu defeito. Ô arrependimento. Na hora, me justifiquei, ao assinar a maldita primeira via azul daquela bosta de papel que não segura a tinta nem enquanto duram as prestações.
Já joguei video game hoje e não estou nem duas fases mais feliz.
Ó, mea- culpa público, só isso. Nada de depressão, não. A ficha caiu: tô gastando mais energia no que tenho do que no que quero. Depois melhora, depois melhoro.
Beijo e até.